Há restaurantes que se reconhecem pela fila que se alonga no passeio à hora exata do almoço. O Argile, na rue de Milan, no 9.º arrondissement de Paris, é um deles. A dois minutos a pé do Hôtel R de Paris, numa sala minúscula com cerca de trinta lugares, cenário cru em preto e branco, chão vermelho e cozinha aberta, o chef Romain Lamon propõe, desde o final de 2024, uma das mesas mais precisas e generosas do bairro.

Romain Lamon: percurso de palácio, cozinha de bistrô

Antes do Argile, Romain Lamon abriu o Polissons, em Montmartre, em 2018, um primeiro restaurante notado pelo seu nível e pelos preços justos. Mas o seu percurso inicial é o das grandes casas: Éric Fréchon no Le Bristol, Arnaud Faye, Michel Roth no Ritz. São esses anos nas brigadas dos palácios que dão à sua cozinha a espinha dorsal técnica — molhos, jus, pontos de cozedura — ao serviço de uma proposta decididamente bistronómica, sem artifícios nem rodeios.

No Argile, o nome diz tudo: regressa-se à matéria bruta, molda-se com o que se tem, servem-se pratos francos, bem condimentados, feitos para limpar o molho até à última gota. O pão de fermentação natural da casa, servido com manteiga batida com limão, é um sinal que não engana.

A carta: precisão vegetal, bistrô revisitado

Ao almoço, as fórmulas (22 € por dois pratos, 26 € por três) oferecem uma relação qualidade-preço quase anacrónica para o nível de cozinha servido. Pode encontrar-se uma tarte folhada de batata com molho de parmesão e gremolata de ervas, uma dourada com molho saboroso e polenta cremosa ou um mil-folhas guloso — pratos legíveis, bem temperados, que não tentam fazer demais.

À noite, a carta ganha corpo e deixa mais espaço à criatividade do chef: tataki de pato, beterraba vermelha e uva moscatel; ravióli de mexilhões à marinheira e alho-francês fondant; tarte de aipo-rábano no espírito de um beef Wellington com jus vegetal; pombo inteiro cozinhado em crosta de argila com couve roxa agridoce. Para quem preferir entregar-se completamente ao chef, há um menu de degustação de 5 tempos por 65 € — uma carta branca que vale particularmente a pena.

O vegetal ocupa um lugar central: a couve-flor trabalhada à milanesa com gel de limão e molho mimosa, a tarte de aipo-rábano, os legumes da estação tratados com tanto cuidado como as carnes — é uma das assinaturas do Argile.

Emma: vinhos vivos na sala

Na sala, a sommelier Emma Aurelio — com passagem pela La Liquiderie e pelo Le Goncourt — seleciona uma cave de vinhos vivos e naturais pensada para acompanhar a cozinha do chef. Os seus conselhos são precisos, nunca intimidantes, e a carta evolui regularmente. É um dos verdadeiros trunfos da casa: a coerência entre o prato e o copo.

Informações práticas

  • Endereço: 4 rue de Milan, 75009 Paris — a 2 minutos a pé do Hôtel R de Paris
  • Metro: Liège (linha 13) ou Saint-Lazare (linhas 3, 12, 13, 14)
  • Horários: almoço de segunda a sexta, 12h00–15h00; jantar de segunda a sábado, 19h30–23h30
  • Encerrado: sábado ao almoço e domingo
  • Fórmulas de almoço: 22 € (2 pratos) e 26 € (3 pratos) — menu de degustação à noite 65 € (5 tempos), carta 46–55 €
  • Reserva fortemente recomendada — reservar mesa no Argile (sala com 30 lugares)
  • Instagram: @argile_restaurant

Para descobrir o Argile e outros bons endereços à volta do hotel, consulte o nosso guia de restaurantes e bares — ou deixe a nossa concierge digital apresentar-lhe os locais incontornáveis em redor do hotel.